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Lições profissionais de um ano sabático

Janeiro 22, 2009
Gostaria de compartilhar com vcs o artigo que saiu hoje na Gazeta Mercantil pois traça um paralelo com a minha propria experiencia neste ultimo ano:
“Dennis R. Sinar, de 61 anos, um médico de Washington, Carolina do Norte, é rápido em explicar porque tirou licença de um ano. “Depois de praticar Medicina por 26 anos, me sentia esgotado”, diz Sinar, gastroenterologista e professor de Medicina da East Carolina University em Greenville. “Eu necessitava recarregar as energias”.
Então ele tirou um “ano sabático”, de julho de 2007 a junho de 2008, para explorar coisas como Maçonaria, restauração de móveis antigos, arqueologia e medicina oriental tradicional, em locais tão variados quanto o Alaska, o Nepal e a Romênia. “Creio que todos têm, no fundo de seus corações, coisas que sempre quiseram fazer mas por um motivo ou outro nunca conseguiram”, diz Sinar.Tirar um ano sabático é uma excelente maneira para os adultos seguirem uma nova carreira ou revigorarem uma antiga, afirma Holly Bull, presidenta do Centro para Programas Provisórios, sediado em Princeton, Nova Jersey, que cria programas sabáticos. O grupo trabalha sobretudo com estudantes universitários, mas também atendeu adultos mais velhos desde que foi formado há 28 anos, revela Bull. Nos últimos anos, dar uma pausa na carreira tem atraído mais interesse, garante ela.Um relatório sobre os anos sabáticos de adultos, lançado em julho de 2008 pela Mintel International, uma empresa de pesquisa de mercado, descreveu o mercado latente americano para anos sabáticos como um “gigante adormecido”. E agora, com a ascensão das eliminações de empregos, os recém-desempregados podem achar que esse é o momento ideal para tirar anos sabáticos.
O planejamento do ano sabático “requer um pouco mais de preparação para os adultos”, garante Bull. As preocupações com finanças e perspectivas de empregos são mais comuns, diz ela.
Os custos variam muito, dependendo em parte do local e dos tipos de programas. Bull estima um ano sabático comum em US$ 6 mil a US$ 15 mil, ou menos “se a pessoa limitar as viagens e fizer programas de baixo custo”. Naturalmente, isso não inclui obrigações financeiras como hipotecas, embora algumas pessoas possam alugar suas residências para financiar o ano fora.
Não é preciso ser rico para financiar o ano sabático, assegura Susan Griffith, autora de “Gap Years for Grown-Ups”. Se um professor alugar sua residência por seis meses, “o aluguel ajudará bastante para pagar as despesas diárias num país em desenvolvimento, como Cambodja ou Bolívia”, comenta.
Sinar limitou as despesas trabalhando para pagar pelo alojamento e as refeições em alguns programas. No Nepal, foram arranjadas hospedagens nas casas de famílias locais, o que contribuiu para reduzir os custos.
Lições humanas
O ano inteiro não tem de ser passado longe de casa, tampouco. Sinar esteve ausente por sete meses durante seu ano de folga, durante o qual passou muitos dias em casa entre um programa e outro. Esses programas tornaram a experiência mais fácil para sua parceira, Kathryn, que também o visitou nos locais diversas vezes. “Um ano sabático é um desafio para os indivíduos mais velhos saírem das zonas de conforto e assumirem risco. Eu gostei mais desse lado”, diz Sinar, que contou sua experiência diária num blog. O tempo que passou estudando medicina oriental “reafirmou os motivos que me fizeram seguir carreira na área de saúde” revelou Sinar, que voltou a praticar medicina no seu antigo emprego, embora trabalhe menos dias. “Eu uso essas experiências para oferecer tratamento mais humano”, acrescenta. “E agora ouço melhor os pacientes do que ouvia antes”.
Em contraste, Lee Attix, de South Portland, Maine, de 52 anos, usou as habilidades adquiridas durante um ano sabático, há mais de dez anos, para trocar as carreiras de vendas e marketing pelo trabalho centrado na vida selvagem. “Eu queria mais do que só um contracheque e executar o trabalho”, diz.
Suas experiências voluntárias de ano sabático incluíram conservação de trilhas em Vermont, uma temporada numa fazenda no Arkansas dedicada a acabar com a fome mundial e estudos sobre os falcões em extinção em Utah. Os resultados foram positivos. Ele recebeu oferta de trabalho temporário e remunerado na conservação de aves silvestres. Hoje, ele é gerente da BioDiversity Research Institute, uma pequena organização sem fins lucrativos de Gorham, Maine. Tirar um ano sabático “foi a melhor coisas que já fiz na minha carreira”, garante.
Paixão por viagens
Tari Marcou, de 54 anos, de Hamilton, Ohio, trabalhava como coordenadora para um programa de liderança de adultos na Universidade Estadual de Ohio há muitos anos, quando percebeu que necessitava dar um tempo na carreira. Seus filhos estavam crescidos, e ela pode vender sua casa com lucro. Ela pediu para sua filha tomar conta do cachorro e dos móveis e iniciou um ano sabático que incluiu passagens num retiro de meditação na França, numa fazenda orgânica na Itália e num centro de conscientização da vida selvagem na África do Sul.
Depois de voltar para os Estados Unidos, ela recebeu um convite para assumir uma nova função na universidade “com aumento salarial considerável”, conta. Em vez de aceitar esse trabalho, ela apostou sua paixão pelas viagens na nova carreira de guia credenciada de turismo. “Sinto que finalmente encontrei meu lugar”, comenta.
Dennis J. Garritan, chairman do departamento de liderança e gestão de capital humano da Universidade de Nova York, afirma que a experiência de ano sabático poder valer a pena para funcionários e empresas. Para os funcionários, “investir neles mesmos e reforçar suas aptidões é uma ação estratégica que pagará dividendos por toda a carreira deles”, diz Garritan. Ele acrescenta que os funcionários que voltam se sentem renovados e têm tempo para pensar em suas carreiras.
Para as empresas, oferecer licenças não-remuneradas faz sentido para o recrutamento e a retenção de funcionários talentosos, e é um meio de longo prazo mais criativo para suportar o declínio econômico do que as demissões.
Mas Garritan adverte que aqueles que voltam de anos sabáticos e procuram um novo emprego podem ter problemas. Algumas empresas podem perceber essas prováveis contratações como riscos de rotatividade de pessoal. Ele também sugere que os trabalhadores que tiram anos sabáticos e pretendem mudar de carreira mantenham as portas abertas para voltar à mesma profissão: se um contador que tem esperança de ser chef for estudar artes culinárias em Paris, ele deve reservar um pouco de tempo para aprender o sistema de contabilidade europeu ou executar trabalho de contabilidade para uma organização sem fins lucrativos. “Mas minha esperança é que isso dê certo”, afirma Garritan. “Estamos todos pensando, ‘Qual será meu próximo ato?’”
(Gazeta Mercantil/Caderno D – Pág. 7)(Tanya Mohn The New York Times)”
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