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Você tem claro o propósito de sua carreira? E o de sua vida?

Maio 11, 2009

Nesta ultima 6f fou publicado um excelente artigo do professor Mario Rosa na Gazeta Mercantil, o qual compartilho integralmente j0433313com vocês:

“Este definitivamente não é um texto sobre futebol, embora tenha como ponto de partida o excepcional jogador Adriano e sua última polêmica. Craque da Inter de Milão e da Seleção Brasileira, Adriano anunciou há algumas semanas que vai dar um tempo do futebol. Por que? Porque não se sente mais feliz exercendo seu ofício; porque sua rotina se tornou uma obrigação, embora adornada por milhões e milhões de euros na conta corrente todos os anos; porque enfim perdeu “o brilho, a vontade’’, como ele mesmo definiu. Quantas vezes você já não sentiu ou presenciou alguém ao seu redor sentir o mesmo? Mais raro, com certeza, deve ter sido testemunhar alguém seguir o coração, como fez o nosso craque.

Ídolos como Adriano encarnam uma espécie de conto de fadas dos nossos tempos. Gente que saiu dos extratos mais humildes da sociedade e conquistou fama, dinheiro e glória por conta exclusiva de seu empenho individual e de um talento nato. Todos os países, inclusive os mais ricos, no futebol ou não, têm uma história assim para contar. Daí porque esses ídolos fazem parte do imaginário das massas, como uma esperança remota de uma felicidade possível, embora improvável. Se a trajetória de Adriano já o fazia figurar no panteão das fábulas modernas, sua renúncia temporária a tudo que galgou fala ainda mais alto a muitos corações. E isso tudo tem muito a ver com a reputação e a imagem que buscamos construir.

A pureza de seguir os próprios sentimentos, hoje em dia, soa como amadorismo em certos ambientes corporativos. Do mesmo modo, sensibilidade vira fraqueza, dúvida é vista como imaturidade. Seguir o caminho alheio sem questionar, sem reclamar, sufocando as próprias emoções, é muitas vezes algo festejado como profissionalismo, garra, força. E os fracos, os inaptos, são aqueles que destoam, segundo esse darwinismo dos escritórios.

Por trás de tantos escândalos, por trás de tantas e tantas crises de imagem, está alguém à frente de uma organização que não conseguiu mais perceber os próprios limites. Crises de reputação, como a que veio à tona com o bilionário golpe do hoje presidiário Bernand Madoff, tiveram como semente alguém viciado num conceito do que é sucesso e fracasso. Presos muitas vezes a esses condicionamentos, há líderes que se sentem obrigados a seguir em frente sem saber direito porque, sem sentir mais prazer no que fazem, com a auto-estima acariciada pela glória momentânea do sucesso, mas internamente massacrados por um vazio que os levará talvez a protagonizar o papel de vilão do próximo caso rumoroso.

Muitos dos recentes escândalos têm em comum o fato de gente vencedora não ter sido capaz de fazer o que o craque Adriano nos ensinou: é melhor parar, dar um tempo, encontrar-se a si mesmo, recuperar o sentido de nossa missão, ao invés de nos transformarmos em meros robôs de um sucesso que não nos preenche mais. No caso de Adriano, ele estava trocando tudo pelo prazer de ficar à vontade por uns tempos na favela em que nasceu. Talvez, se Madoff tivesse feito algo parecido há muitos anos atrás, hoje não estivesse onde está. Fala-se muito do preço do sucesso. Mas o que se vê mais e mais é gente pagando um preço ainda mais alto pelo fracasso. É essa armadilha que Adriano tenta desmontar. Tomara que seu exemplo frutifique.”

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