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Como estão os seus atributos executivos mais importantes: persistência e resistência, sensibilidade aos outros e saber ler as aspirações e emoções alheias? E quanto a tolerar conflitos e conseguir se concentrar em atividades de alta prioridade sem se distrair?

Maio 29, 2009

CB044436“Quando a conjuntura econômica é pouco favorável – para não dizer caótica -, a maior parte da empresas adota medidas que afetam a força de trabalho. Entre elas, a redução de pessoal é a mais comum. Para Jeffrey Pfeffer, professor de Comportamento Organizacional na Escola de Negócios da Universidade de Stanford, nos Estado Unidos, essa postura costuma ser um tiro no pé. Segundo ele, é em momentos de turbulência que as empresas mais precisam de capital humano.

Autor de 11 livros, incluindo “A Verdade dos Fatos: Gerenciamento Baseado em Evidências”, lançado no Brasil pela editora Campus-Elsevier, Pfeffer já deu aulas em algumas das mais respeitadas instituições de ensino do mundo, como Harvard. Seus seminários já foram vistos por executivos de 28 países, incluindo Japão, Alemanha, França, Canadá e México. Na próxima semana, ele estará no Brasil para participar do Fórum Mundial de Liderança e Alta Performance, que será realizado pela HSM nos dias 2 e 3 de junho, em São Paulo. Na ocasião, ele apresentará o tema “A Estratégia Através das Pessoas”.

Antes de aportar ao País, Pfeffer concedeu uma entrevista à Gazeta Mercantil na qual, entre outras coisas, explica que valores adequados e boa gestão de pessoas são as bases do sucesso corporativo. O motivo? Hoje tudo pode ser – e é – copiado pela concorrência, menos a cultura corporativa e os talentos que cada empresa possui.

Gazeta Mercantil – O mundo passa por uma crise financeira intensa. As demissões têm criado um clima de insegurança entre os funcionários e, consequentemente, queda de eficiência. Como um líder deve agir neste momento?

No geral, eles estão fazendo coisas erradas e destruindo suas empresas nesse processo: estão esgotando a boa vontade dos clientes e funcionários ao oferecer uma pior proposição de valor. Empresas inteligentes, como Google, Procter & Gamble, entre outras, estão aproveitando a crise como uma oportunidade para atrair talentos e, por conseqüência, colocar os concorrentes numa posição ainda pior. É bom lembrar que foi durante a Grande Depressão que a Kellog’s introduziu novos produtos no mercado e superou a Post, sua concorrente, que se retraiu.

Gazeta Mercantil – Nesse quadro, quão importante é a gestão de pessoas para a prática de uma liderança efetiva? 

A gestão de pessoas é sempre importante, conforme mostram muitas pesquisas. Mas ela é ainda mais decisiva durante uma crise. Quando a economia está indo bem, qualquer empresa pode alcançar êxito. Quase todas as estratégias dão certo. É quando os tempos são difíceis que o melhor é separado do resto. É quando os tempos são difíceis que as empresas necessitam de uma força de trabalho engajada, de inovação de produtos e serviços e de uma qualidade extraordinária. Ironicamente, nesses tempos de incerteza as companhias tomam medidas que prejudicam a força de trabalho. Elas reduzem pessoal e cortam salários e benefícios, por exemplo. Mas é justamente nesse momento que elas mais necessitam de capital humano. As melhores empresas reconhecem isso e evitam demissões e ações do tipo. Elas entendem que o aperto econômico cria oportunidades para se obter vantagens competitivas em relação à concorrência.

Gazeta Mercantil – Atualmente, qual é a postura mais adequada que um diretor-executivo pode ter?

Ele deve assumir o papel de arquiteto da cultura e dos valores da organização. Precisa ser aquele que modela o comportamento dos funcionários. A cultura corporativa precisa ter algumas características. Primeiro, ser voltada para a expressão da verdade, na qual as pessoas admitem erros, se questionem a respeito daquilo que elas não sabem e, em geral, possam se comportar com confiança. Segundo, a cultura deve colocar as pessoas em primeiro plano, reconhecendo que funcionários bem tratados cuidam melhor dos clientes e produtos. Terceiro, é preciso que haja abertura e troca de informações, de forma que as pessoas saibam o que se espera delas e tenham em mãos dados necessários para tomar boas decisões. Quarto, a cultura deve ser de desenvolvimento tanto de produtos quanto de tecnologia, mas também de pessoas. Em todos esses itens, o diretor-executivo deve transformar suas palavras em ação. Ele deve exemplificar os valores da empresa. Não pode ser alguém que acredita estar isento só porque tem poder.

Gazeta Mercantil – Por que a gestão de pessoas é tão decisiva para o sucesso corporativo?

Há centenas de estudos que mostram que as pessoas – e o modo como ela são conduzidas – são a fonte mais importante de sucesso organizacional. É assim porque os demais aspectos da vida empresarial podem ser prontamente copiados. As corporações replicam as estratégias uma das outras. Elas também podem imitar tecnologias e produtos. O mais difícil de copiar é a cultura corporativa e o relacionamento entre os funcionários. Seja qual for o setor de atuação, o tamanho ou o país de uma empresa, as evidências apontam que uma boa gestão de pessoas gera vantagens em produtividade e qualidade de cerca de 40%. As lideranças devem prestar atenção a isso.

Gazeta Mercantil – Quais habilidades um líder deve ter para envolver e reter seus subordinados?

As pessoas querem usar seus dons e também desejam aprender. Delegar ou decentralizar a tomada de decisão é algo crucial para isso. Segundo, as pessoas gostam de trabalhar numa atmosfera de respeito mútuo. Por isso é importante eliminar a cultura da intimidação. Terceiro, todos gostam de saber o que está se passando na empresa. Portanto, é preciso trocar informações abertamente sobre praticamente todos os assuntos e temas. E os líderes devem interagir e se relacionar com as pessoas de todas as áreas da organização, não só com os mais graduados. Passar tempo nas instalações, executando as tarefas da linha de frente de vez em quando construirá credibilidade e fortalecerá os relacionamentos.

Gazeta Mercantil – O que é o “efeito feedback” e por que as empresas não podem ignorá-lo?

Ele diz respeito ao fato das ações terem consequências. Eleve os preços e os clientes podem fugir. Demita pessoas e aquelas que permanecerem perdem confiança e concentração. Corte salários e alguns irão embora, outros sabotarão a organização ou se dedicarão menos. Quando a Circuit City [rede varejista norte-americana especializada em produtos eletrônicos] decidiu cortar custos com a folha de pagamentos eliminando as 3,2 mil pessoas mais bem pagas fora da área executiva, acabou demitindo seus melhores vendedores. Poupou dinheiro. Mas ao eliminar quem tinha mais conhecimento e habilidades de vendas, deu o primeiro passo rumo à falência. Se o presidente quer cortar custos, faça com sensibilidade.

Gazeta Mercantil – Como alinhar estratégia de negócio e práticas de liderança e gestão para alcançar alinhamento e resultados consistentes?

Isso deve ser feito pelo entendimento da estratégia e do modelo do negócio. A maior parte das empresas não sabe como gera lucro. Não sabe quais são os cursos reais de um produto individual. Não sabe o que realmente impulsiona as vendas e as receitas. Segundo, é necessário garantir que as políticas administrativas e as práticas instituídas sejam lógicas e consistentes, ou seja, que não operem de modo conflitante entre si. Terceiro, assegurando que as práticas e as políticas administrativas gerem os comportamentos e as competências necessários. A empresa deseja trabalho em equipe? Por que, então, remunerar com base em avaliação individual de desempenho? Quer inovação? Então por que punir aqueles que assumem riscos?

Gazeta Mercantil – Quais são os atributos necessários para se influenciar as pessoas e como eles podem ser desenvolvidos? Como o poder pode ser obtido e usado?

Esse assunto será tratado no meu novo livro, cujo título provisório é “Power: An Organizational Survival Guide”. Os atributos individuais mais importantes que obter poder incluem persistência e resistência – isto é, a capacidade suportar contratempos e seguir em frente -, sensibilidade aos outros, saber ler as aspirações e emoções alheias, além de tolerar conflitos e conseguir se concentrar em atividades de alta prioridade sem dispersar. Essas habilidades podem ser desenvolvidas por meio da reflexão, da leitura ou de coaching voltado às áreas nas quais o líder tem menos força.”

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