Archive for Fevereiro, 2010

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Um Papo Franco sobre Networking

Fevereiro 15, 2010

Neste post resgato parte de uma conversa muito interessante que tive com minha colega de TTC, Vera Larrat – Gerente de RH na Coca-Cola para América Latina – na qual discutimos a importância do networking na carreira de um executivo. Não importa como você encare isso, seu sucesso no mundo corporativo depende de sua habilidade de relacionar-se com êxito. Algumas pessoas consideram networking “politicagem” e evitam tal prática, mas tem muito mais por detrás desta questão.

Comunique-se para Cima e para Baixo na Hierarquia Organizacional

Sucesso em networking significa ser competente comunicando-se efetivamente não apenas com seus pares  e seus chefes, mas também com seus funcionários. Vamos então começar por aí.

Você nunca vai chegar ao topo da hierarquia sem o apoio dos funcionários abaixo de você. Estas são as pessoas que fazem o trabalho – as pessoas cujo esforço e entusiasmo determinam o seu sucesso ou o seu fracasso. Para ser promovido, você precissa ter êxito na sua posição atual e, definitivamente, você pode não ter êxito nela sem o compromisso das pessoas que trabalham para você.

Além de simplesmente fazerem seu serviço, esmerando-se ou não para você ficar “bem na fita”, seus funcionários são também uma boa fonte de networking. Vários deles conhecem outros funcionários em outros departamentos e, inevitavelmente,  todos eles se falam. Alguns podem inclusive conhecer outros gestores. As conversas que seus funcionários têm com essas outras pessoas podem ter um impacto direto no seu crescimento dentro da empresa. Imagine se um dos seus funcionários diz a um amigo na organização: “Meu chefe é um verdadeiro mané. Ele não sabe o que está fazendo e simplesmente não ouve”. Um outro funcionário diz sobre o seu chefe: “Eu detestaria ficar sem ela como chefe, mas sem dúvida ela seria brilhante como VP”. Qual dos dois você acha que têm maiores probabilidades de ser promovido?

Já seus pares estão competindo com você por uma promoção, mas eles também são fundamentais para o seu êxito. Quanto mais alto você for na sua carreira, mais seu sucesso dependerá de sua habilidade em trabalhar com todas as linhas funcionais. Isso significa que você precisa estabelecer boas relações de trabalho com os seus pares. Se eles vão ajudá-lo por amizade, interesse próprio ou medo, isso não vêm ao caso, mas você bem sabe qual é o cenário mais confiável, certo?

No final das contas, ser selecionado para escalar um nível mais alto depende do seu chefe ou de alguém numa posição mais alta dentro da organização. Quanto mais este executivo sênior pensar nas suas competências e estilo, maiores serão suas possibilidades de ser promovido.

Como Praticar Network Eficazmente

Algumas redes de relacionamento são construídas com base no medo, desconfianças, intrigas e  apunhaladas pelas costas. Elas podem funcionar, é claro, e representam a plataforma daquilo a que nós geralmente nos referimos como “politicagem corporativa”.

Outras redes são baseadas no preenchimento das necessidades e desejos uns dos outros. Mesmo quando os diferentes integrantes de tais redes obtêm algum benefício fora da rede, eles seguem trabalhando apoiando uns aos outros e incrementando o sucesso de seus integrantes – pelo menos enquanto isso não interferir nas suas próprias necessidades.

Finalmente, existem as redes de amigos. Eles fazem o que podem para ajudar um ao outro, sem nenhuma preocupação em relação ao beneficio que podem extrair, apenas pelo simples fato de serem amigos.

Há 2 coisas sobre as quais você precisa estar consciente na medida em que constrói suas redes no trabalho:

  • A maioria das redes são uma combinação de todos estes 3 elementos: politicagem, benefício mútuo e amizade
  • É essencialmente importante saber qual deles compõem as redes de relacionamento em que você participa.

Tipos de Redes Eficazes

Você pode construir sua rede com base em qualquer um desses 3 tipos, dependendo do seu estilo pessoal e de suas preferências. Se você se sente confortável no mundo das punhaladas nas costas, se você se supera atacando de surpresa os demais, se você quer seguir adiante atropelando os outros… vá em frente.  Esse é um método que tem funcionado para muitas pessoas no passado e, sem dúvida, vai continuar funcionando.

Se você se sente mais confortável num mundo onde os pares tratam uns aos outros como profissionais e trabalham juntos em prol de benefícios mútuos até o final, então este deve ser o tipo de rede a construir.

  • Conheça seus pares.
  • Descubra o que eles precisam para ter êxito.
  • Ajude-os a ter mais sucesso nas suas funções.
  • Deixe-os saber do que você precisa.
  • Seja profissional e acadêmico.
  • Reconheça que, no final das contas, você pode ter que se virar sozinho.

Se você prefere construir amizades e contar com esses amigos do trabalho como rede, então este é o tipo de rede na qual você deve investir. Está é a rede mais segura – a mais confiável inclusive – mas também é a que leva mais tempo para construir.

  • Cultive amigos no trabalho como você faria em qualquer outro lugar.
  • Ganhe a confiança e a amizade deles.
  • Confie neles e sejam efetivamente amigos.
  • Seja aberto e franco sobre o que você precisa e quer na sua carreira.
  • Peça a eles ajuda e também conselhos de como seguir adiante.
  • Esteja preparado para apoiar um deles que, eventualmente, pode  vir a ser promovido antes de você.

Um Networking Real de Successo

Deixe-me dividir com você minha escolha de networking profissional. Talvez ele não funcione para você e talvez eu pudesse ter feito melhor com um sistema diferente.

Eu tinha menos de 40 anos quando me tornei VP. Ainda não me tornei CEO de um conglomerado multi-nacional, mas na ponta do lápis, estou muito feliz com as opções que fiz e o sucesso que alcancei ao longo da minha carreira.  Este sucesso foi construido a partir de muito trabalho duro e talento e não da minha habilidade em pisar nos outros. Foi também erguido a partir da minha competência em formar redes e de me comunicar de forma eficaz com pessoas de todos os níveis, na medida em que eu subia na hierarquia corporativa.

Eu sempre construí minhas redes como mutuamente benéficas. Mas, desde que passei a atuar na área de desenvolvimento humano e organizacional, meus pares, meus sócios e meus parceiros comerciais se transformaram em mais do que isso. Muitos deles acabaram virando amigos. Algumas amizades ultrapassaram inclusive o universo do trabalho. Eu dependo desta rede, baseada no respeito e na confiança mútua, quando preciso de bons conselhos. Eu ligo para eles quando problemas aparecem. Se preciso de recomendações em relação a uma nova parceria, posso geralmente contar diretamente com um deles ou indiretamente com suas respectivas redes. Quando preciso me conectar com um cliente em potencial, minha rede de pares / amigos pode geralmente encontrar para mim uma boa conexão.

Na Ponta do Lápis

Construa qualquer que seja o tipo de networking (ou combinação de tipos) que melhor funcione para você:

  • Politicagem
  • Benefício Mútuo ou
  • Amigos.

Invista tempo na sua rede para que ela possa trabalhar para você. Você não pode ir em frente sem os outros. Descubra como você quer que os demais se envolvam no seu sucesso e corra atrás. E finalmente só posso dizer mais uma coisa: boa sorte!

Conte comigo,

Pablo Aversa

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O Café Como Ferramenta Gerencial

Fevereiro 7, 2010

Uma das melhores ferramentas gerenciais no seu leque de opções pode ser uma xícara de café. A simples iniciativa de convidar alguém para um café lhe dá uma oportunidade de sentar com esta pessoa, ouví-la e aprender. Entre outras coisas, este tipo de bate-papo pode ser uma motivação poderosa para o funcionário.  Ela também pode prevenir situações de conflito e agressividade. No final das contas, compartilhar um simples momento num café lhe dá uma chance única de acessar importantes informações sobre você mesmo, seu funcionário, sua empresa e até sobre seus concorrentes.

Tomando Um Café com seus Funcionários

Você tem reuniões regulares com cada um dos seus funcionários-chave (seus subordinados diretos)? Essas reuniões semanais são interrompidas frequentemente porque ambos são super ocupados e alguém sempre tem um “incêndio” que precisa de um dos dois para apagá-lo? Você já sentiu que poderia fazer mais se contasse apenas com uma meia hora sem interrupções? Saia já de sua sala e leve a outra pessoa para tomar fora um cafezinho!

Numa empresa em que trabalhei havia uma cafeteria na loja de material de construção ao lado e outra num hipermercado em frente. Outra opção era o shopping próximo. Um gerente que conheci, entretanto, gostava mesmo era de se esgueirar no refeitorio da própria empresa. Ele “comprava” um café para a pessoa com a qual se encontrava, sentavam-se numa das mesas disponíveis e conversavam. Sem telefones, sem celulares e sem blackberries.

Café Nem Sempre É Café

“Tomar um café juntos” não envolve necessariamente café. Se você, ou a pessoa com a qual você etá se encontrando, não curte um cafezinho, ou apenas quer dar um tempo à tanta cafeína, existe um monte de opções. Chá e chocolate são um par de outras alternativas que me vem à mente (inclusive, em vários países, o chá pode ser a alternativa preferida). Entretanto, a questão não tem que parar por aí. O ponto principal é se afastar das distrações por um curto período de tempo, portanto a bebida em si  não é crucial. Uma água engarrafada pode se encaixar. Hidrotônicos, sucos de frutas e refrigerantes são todos bem-vindos. Tenha em conta que precisa ser algo relativamente barato, que possa ser servido rapidamente e com o qual você possa se demorar enquanto conversa.

Ouça. Realmente Ouça.

Lembre-se que a razão pela qual você está tendo este bate-papo na cafeteria – ao invés da sua sala – é para aprender algo com a outra pessoa. Pode ser que você queira que ela repasse todo o problemático relatório sem interrupções. Pode ser que você queira ouvir suas idéias sobre o novo produto ou sobre como corrigir o antigo. E por aí vai… Mas não se esqueça que, tão importante quanto checar a temperatura do café, é checar a da pessoas que está com você, descobrindo se está estressada e o porquê. O principal ponto nisso tudo é que você precisa manter a boca fechada e os ouvidos bem abertos.

É claro que ouvir é muito mais do que apenas deixar a outra pessoa falar. Você tem que focar sua inteira atenção naquilo que o outro está dizendo. Lembre-se que você saiu da empresa para se afastar das distrações que lá existem, portanto não se distraia aqui permitindo sua mente perambular a esmo. Escutar ativamente significa também ocasionalmente repetir de volta uma afirmação dela para mostrar que você está ouvindo e para encorajá-la a continuar falando. Os japoneses tem até mesmo uma palavra para isso: aizuchi.

Em Suma

  • Um intervalo para um café lhe dá chance de se afastar de distrações e interrupções.
  • Café, chá, refrigerente ou água: a bebida não importa.
  • Pegue uma bebida que seja barata e rápida, mas com a qual você possa se demorar.
  • Celulares e blackberries devem ser desligados ou, ao menos, ignorados.
  • Escute ativamente a outra pessoa. Este é o objetivo desta rápida escapada.

E à propósito, quer tomar um café e saber sobre os beneficios do Coaching Executivo na sua carreira ou na do seu time na organização em que trabalha?

Conte comigo,

Pablo

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Por Que Realizar Multitarefas é Ineficiente & O Que Você Pode Fazer Que É BEM Melhor…

Fevereiro 3, 2010

Você realiza multitarefas no trabalho? Você acha que isso o ajuda a fazer mais? Pois vou lhe dizer: não, não ajuda. Na realidade você pode ser mais produtivo através do “chunking” do que via multitarefas. O nome pode soar estranho, mas os resultados são impressionantes.

Atravé do “chunking”, você vai fazer mais e melhor. Portanto, se você permitiu ser apanhado pelas garras da multitarefas, leia o post Pratique o Chunking Ao Invés de Realizar Multitarefas para se soltar dessas garras e se lançar em dias mais produtivos.

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Sobre Casamentos, Equipes e Interações

Fevereiro 1, 2010

A pioneira pesquisa de John Gottman concluiu que os casamentos tendem a ter muito mais êxito quando o casal experimenta interações positivas e negativas numa proporção de 5 para 1, ao passo que, quando a proporção alcança 1 para 1 , os casamentos tendem a terminar em divórcio. Investigações adicionais também apontam que equipes de trabalho com uma proporção de interações positivas e negativas maior que 3 para 1 são significativamente mais produtivas do que os times que não alcançam essa proporção.

Bom… e daí? O que tudo isso significa? Para a grande maioria de nós significa que necessitamos aumentar o número de interações positivas que temos em casa e no trabalho e reduzir nossas interações negativas.

Precisamos nos engajar com mais sorrisos, palavras amáveis, alento, gratidão, conversas significativas, diálogos honestos e sinceras interações positivas. E, para promover estas iniciativas, precisamos criar rituais pessoais e de equipe que nos ajudem a interagir mais positivamente. Se inserirmos estes rituais no nosso processo organizacional e nos nossos hábitos individuais certamente elas ocorrerão com maior frequência.

Por exemplo, em casa você podia decidir dar uma volta com sua esposa toda noite depois do jantar e falar sobre as coisas positivas que acontecem no trabalho. Quanto mais você praticar, mais isso vai ficar arraigado em sua vida. No trabalho você podia transformar em hábito sorrir com mais frequência para seus colegas e clientes. Como gerente, você poderia investir mais tempo reconhecendo seus funcionários pelas coisas que eles fazem direito ao invés de sempre focar naquilo que estão fazendo errado. À propósito, um gerente que conheço transformou em hábito reconhecer pessoalmente 5 pessoas todas as semanas. Ainda como representante de uma organização, você podia convocar todos seus funcionários numa única chamada telefônica para compartilhar uma mensagem positiva. Ou talvez pudesse juntar sua equipe de vendas toda semana e colocar seus integrantes compartilhando estórias de sucesso entre eles. As idéias não tem fim. O objetivo é intencionalmente cultivar mais interações positivas para alimentar o contínuo sucesso.

Entretanto, entenda que isso não significa que nós nunca devamos ter interações negativas. Existe uma pesquisa realizada por Barbara Fredrickson, da Universidade de Michigan, apontando que, se uma equipe de trabalho numa determinada empresa, experimenta interações positivas e negativas numa proporção de 13 para 1, a equipe será menos efetiva. Isto sugere que ninguém do grupo está disposto a confrontar os verdadeiros problemas e desafios que estão afetando o time. Alguma vezes necessitamos confrontar uma situação para seguir em frente e, como sabemos, ignorar os problemas que nos fitam de frente definitivamente não funciona. Interações negativas são necessárias desde que ocorram com uma frequência bem menor do que as positivas.

Interações positivas são essenciais para um casamento saudável, para um ambiente de trabalho alto-astral e para sucesso tanto individual quanto grupal. Neste sentido, quando você acabar de ler este post, encorajo você a agradecer alguém no trabalho ou em casa e deixe-o(a) saber como ele ou ela impacta na sua vida de forma positiva. E aí, faça disto um hábito.