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Você sabe o que está deixando de lado ao ser impaciente? Talento!

Setembro 14, 2012

Recentemente detectamos num determinado cliente um padrão de comportamento bastante comum a todos os executivos: impaciência crônica. Diversos processos de coaching que estavamos aplicando convergiam portanto para a mesma necessidade: o desenvolvimento e aprimoramento dessa habilidade tão essencial à saúde organizacional – a paciência.

As manifestações comportamentais apresentadas pelos gestores eram as mais variadas: agiam antes da hora, não toleravam um ritmo lento ou os processos desajeitados dos demais, não investiam tempo para ouvir ou compreender, pensavam que quase tudo tinha de ser feito mais depressa e em menos tempo, interrompiam os moderadores das reuniões com sua necessidade de terminar sempre antes, também interrompiam e terminavam frequentemente as frases dos outros e, muitas vezes, faziam suas próprias regras (não esperando pelo consenso coletivo). Alguns eram considerados egôcentricos (do tipo “faça do meu jeito e no meu ritmo”), outros davam a impressão de serem arrogantes, desinteressados ou mesmo o clássico perfil “sabe-tudo”. Alguns eram orientados para a ação e opunham resistência à complexidade dos processos e problemas, outros precipitavam-se para conclusões em vez de refletir sobre os assuntos.

Veja, muitas pessoas têm orgulho de dizer que são impacientes pensando que isso é sinônimo de alto desempenho e orientação para resultados. Isso é verdade apenas de vez em quando, principalmente quando os resultados estão atrasados ou os padrões são relaxados. Porém, em muitas situações, a impaciência é uma máscara para outros problemas e tem consequências sérias no longo prazo. Leva ao gerenciamento excessivo, a não desenvolver os demais, a canalizar apenas as suas soluções na organização, a monitorar demais e – finalmente – a afastar as pessoas com a sua falta de tolerância.

Se assim como eles, você se encaixa nesta descrição, compartilhamos a seguir algumas dicas fundamentais para iniciar uma jornada de transformação pessoal que neutralize esse tipo de atitude, permitindo a paciência aflorar numa proporção mais adequada:

  1. Ouça ativamente. Sujeitos impacientes interrompem, terminam a frase dos outros quando estes hesitam, pedem para as pessoas que se apressem, solicitam que pulem alguns slides e cheguem logo à conclusão da apresentação, insistem para os outros não façam rodeios, etc. Todos estes típicos comportamentos de aguém impaciente deixam os demais intimidados, irritados, desmotivados e frustrados, resultando em interações incompletas, relações danificadas, uma certa sensação de injustiça e humilhação durante todo o processo de comunicação. E tudo isso para quê? Para economizar alguns minutos preciosos do seu tempo? Fala sério! Adicione já 5 segundos ao seu tempo atual de “reação/ interrupção” até que pare de se comportar assim na maior parte do tempo. Aprenda a pausar para dar uma segunda chance aos demais.  Conscientize-se: as pessoas geralmente se perdem nas palavras quando estão falando com alguém impaciente, apressando-se antes da primeira ou da próxima interrupção.
  2. Atente para os sinais não verbais. Obviamente os sujeitos impacientes dão sinais de falta de paciência durante seus discursos e suas atitudes, mas também sinalizam isso de forma não verbal. Sobrancelhas cerradas, agitação corporal, dedo ou lápis batucando na mesa e, para completar,  olhares furiosos. O que você pode fazer? Pergunte aos colegas em que mais confia quais são seus 5 sinais de impaciência mais frequentes. Trabalhe neles a fim de neutralizá-los.
  3. Cabeça-fria. Sempre. Os sujeitos impacientes querem tudo para ontem. Ou melhor, anteontem. Não querem esperar. As vezes a falta de paciência vira perda de compostura. Quando as coisas não andam na velocidade desejada, tudo acaba num maremoto emocional. Acesse o post “Lidando com as ameaças: 10 dicas para não perder a compostura” para se aprofundar nesta dica.
  4. Identifique quem o deixa impaciente. Algumas pessoas provavelmente o deixam mais impaciente do que outras. Quem são elas? O que fazem que o deixam nesse estado? Será o ritmo? O idioma? O raciocínio? O sotaque? Esse conjunto de pessoas pode incluir quem você não gosta, quem “viaja na maionese”, quem reclama ou mesmo quem bate na mesma tecla tentando defender coisas que você já deixou para trás. Treine mentalmente algumas táticas para se acalmar antes de uma reunião com elas.  Tente entender suas posições sem julgá-las (deixe isso para mais tarde). Faça com que essas pessoas se concentrem nas questões a serem discutidas, não permita que saiam do tema central. Se for necessário, interrompa para resumir e dar a sua opinião. Tente treiná-las para que se tornem mais focadas e eficientes da próxima vez que interagirem contigo (mas sem prejudicá-las durante o processo).
  5. Vigie de perto a sua arrogância. Quem possui uma qualidade que o destaca dos demais ou alcança um patamar significativo de êxito infelizmente recebe menos feedback e portanto continua passando por cima dos demais até a sua carreira correr sério perigo. Se você é arrogante e desvaloriza quem tenta ajudá-lo, sinceramente deveria fazer um esforço redobrado para interpretar e ouvir os demais. Não precisa assimilar tudo, basta ouvir antes de reagir. Afinal, precisa acabar com com a atitude do “o que eu quero/penso” e passar a se perguntar: “O que eles estão dizendo? Como estão reagindo?”
  6. Invista na receptividade / accessibilidade. Sujeitos impacientes não recebem tanta informação quanto aqueles que ouvem ativamente. E gralmente se surpreendem com os acontecimentos que os outros já previam. Não é de se estranhar, afinal as pessoas hesitam ao falar com quem é impaciente. É muito difícil. Elas não falam com os impacientes sobre seus pressentimentos, pensamentos inacabados, hipóteses e possibilidades. Portanto você ficará de fora e não terá acesso à dados importantes que precisa para se tornar mais eficaz… Não julgue as comunicações informais.  Apenas as receba. Mostre que entendeu. Faça uma ou duas perguntas. E acompanhe o caso mais tarde.
  7. Desacelere. Os demais nem entenderam direito o problema e os impacientes já estão dando respostas, soluções  e chegando a conclusões muito cedo. Dar soluções de forma acelerada fará com que os demais fiquem dependentes e irritados. Se você não ensiná-los a como pensar e como encontrou uma solução tão rapidamente, eles nunca vão aprender. Não se apresse para definir realmente o problema. Não despeje as soluções impacientemente. Faça um brainstorming para descobrir quais perguntas precisam ser respondidas para resolver o problema. Dê ao seu pessoal  a tarefa de pensar sobre o assunto durante um dia e voltar com algumas soluções. Seja um professor e não um ditador de soluções. Invista no autoconhecimento. Faça um diário sobre o que causou o seu comportamento e quais foram as consequências observadas. Aprenda a detectar e controlar seus desencadeadores (antes de ficar em maus lençóis).
  8. Pare de fiscalizar frequentemente. Os impacientes verificam tudo com muita frequência. Como estão as coisas? Já terminou? Vai terminar quando? Deixe-me ver o que já fez…  Isso é um inconveniente para o devido processo e desperdiça tempo. Quando distribuir uma tarefa ou atribuir um projeto, estabeleça pontos de verificação prévios. Você também pode criar pontos de checagem com base no percentual do trabalho concluído. “Venha falar comigo quando concluir 25%, assim podemos fazer correções no meio do caminho e depois quando concluir 75% para fazermos as correções finais”.  Deixe-os descobrirem como fazer a tarefa. Segure-se para não verificar o trabalho fora do cronograma  e dos percentuais estabelecidos previamente.
  9. Deixe os demais resolverem. Olhe mais para as soluções dos demais. Provoque discussões e divergências, receba as más notícias de braços abertos e peça para os demais apresentarem a segunda e terceira soluções que encontraram. Um truque útil é atribuir questões e perguntas antes mesmo de pensar nelas. Duas semanas antes de tomar uma decisão, peça para o seu pessoal examinar uma questão e dar um retorno dois dias antes de você ter que lidar com o assunto. Dessa maneira, você ainda não terá nenhuma solução. Isso motiva bastante o pessoal e o faz perecer menos impaciente.
  10. Não transforme a falta de paciência numa barreira para o desenvolvimento de sua equipe. Descubra como as pessoas realmente se desenvolvem. Com a sua impaciência, o mais provável é que você não vai desenvolver nenhuma habilidade nos demais, já que o desenvolvimento não funciona em curtos períodos e com uma supervisão de perto. Como você verá no post “Acima e avante! Desenvolvendo os colaboraderes diretos”, tarefas desafiadoras, dar feedback durante o percurso e incentivar o aprendizado são pontos primordiais. Pessoas impacientes raramente desenvolvem os demais.

Para essas e outras habilidades, conte comigo.

Pablo

P.S. – Gostou? Para me seguir no Facebook, acesse https://www.facebook.com/coachingexecutivo

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16 comentários

  1. Parabéns Pablo, excelente artigo. Acabei me vendo nesse texto. Sinto que me tornei uma pessoa impaciente, principalmente em relação a prazos. Concerteza seguirei essas dicas.
    O primero passo para a melhora já foi dado, que foi reconhecer a falha. Agora é seguir em frente.

    abraço.

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  2. Excelente artigo, para formar equipes vencedores é preciso ter paciência e o resultado é sempre muito bom, tanto financeiramente como em realização profissional.

    Abraço

    Hamilton Moura

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  3. Parabéns Pablo. A impaciência muitas vezes é o resultado da falta de confiança que o gestor tem da sua equipe alinhado a um planajemento incompleto. Mostra-se a médio prazo um risco para o projeto, ou em outras palavras “fogo amigo”

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  4. Belíssima matéria! Parabéns! Muito apropriada! É bom refletir, sobre nossas intempéries, pois certas atitudes, além de nada resolver, podem ainda nos prejudicar. A intolerância e a impaciência são comportamentos infantis e inadequados a um bom profissional. Aprovadíssima sua matéria!
    É bom refletir sempre, como intuito de nos aperfeiçoar!
    Abraços!
    Dra. Antonieta

    antonieta2012@gmail.com

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  5. Parabéns pelo artigo, excelente matéria.

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  6. Parabéns Pablo, muito rico esse artigo! Desacelerar já é um grande desafio nos tempos de hoje. Agora, Desacelerar, e ainda, refletir sobre comportamentos inadequados ao nosso desenvolvimento pessoal e profissional, é ainda mais desafiador. Obrigada pelas dicas, gostei muito!

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  7. Li com toda a atenção o seu artigo e sem dúvida contém dicas muito importantes para todos nós. Revi-me em muitas situações e por isso tenho de mudar em algumas questões.

    Obrigada por este despertar de consciência!
    Atentamente

    Paula Castanheira

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  8. Pablo, muito preciso em suas palavras. Sempre que leio seus artigos me conscientizo um pouco mais sobre pontos a desenvolver. Parabéns!

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  9. Parabens Pablo otimo o seu artigo , apesar de ser uma pessoa paciente que sabe falar e ouvir e sempre bom ficar se policiando. Muito inteligente .

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  10. Bom dia Pablo,
    Parabéns pelo post, achei sensacional. Caiu como uma luva numa situação real que acabo de vivenciar. Estava numa empresa pequena, porém bem sucedida, e seu dono tem o exato perfil impaciente descrito por você.
    Percebi essas características nele, mas não tive tempo nem oportunidade de dialogar com ele sobre isso. Eu me retraí exatamente como você descreveu no post. Tentei desenvolver minha equipe, exatamente como você aconselha, mas minhas iniciativas foram prejudicadas pelo dono da empresa, que por fim me dispensou, alegando que meu perfil não correspondia às expectativas da empresa. Detalhe: a dispensa foi feita por telefone, pelo RH, já que eu estava na Bahia e a sede é em São Paulo.
    Obrigado pelas orientações, foram extremamente úteis!

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  11. Ótima matéria para reflexão. Realmente algumas pessoas querem que todos tenham o mesmo ritmo sendo que não entendem que cada um tem o seu.

    Cada pessoa tem um estilo e suas qualidades diferenciadas um dos outros, o que não quer dizer que seja mais ou menos inteligente e profissional.

    Há muitos líderes com talentos perdidos, simplesmente por não haver pessoas que os instruam de maneira correta, líderes que poderiam ser levantados para trazer bons frutos para as empresas acabam não conseguindo desenvolver o seu talento e as empresas acabam sendo fragilizadas em determinados setores por não terem uma visão empresarial e sim pessoal.

    Parabéns pela matéria, com certeza aprendi um pouco mais lendo a mesma e com certeza utilizarei no meu dia a dia, seja profissional ou familiar.

    Grande abraço.

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  12. Também caiu como uma luva para mim, estou iniciando na gestão da minha empresa e eu é quem sou afobada e, claro isso trouxe e trás desconforto para mim e para quem lidero.
    Vou refletir, e muito, no que você escreveu para melhorar minha performance. Obrigada!

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  13. Poxa Vida!!!!!
    Poderia ter lido este post ontem!!!!!
    Ótimo texto, só queria saber de onde me conhece.
    Descreveu completamente a minha personalidade, muito grato por me mostrar formas de identificar e contornar vícios de personalidade.
    Como disse, é uma pena que passei por uma situação ontem que teria escapado de uma saia justíssima.

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  14. Excelente texto, inclusive acrescento que esse comportamento nada agregador para a sustentabilidade das relações tem impacto direto na saúde.

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  15. Excelente Pablo, me fez parar e refletir sobre minhas atitudes. Vou tentar rever e me esforçar para melhorar, obrigada!

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  16. Parabéns!

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