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Ser obedecido e aclamado não é sinal de um gerente fora-de-série

Novembro 20, 2012

A maioria de nós prefere contar consigo mesmo para fazer o que é mais importante. Afinal, não é muito comum ficar à vontade e delegar ou mesmo dar poderes aos demais. A atitude de gerenciar excessivamente surge justamente quando não estamos habituados a confiar no nosso pessoal no processo de alcançarem um determinado desempenho. Podemos achar que não são qualificados ou que não estão suficientemente motivados. Mas veja, os dois problemas são de nossa responsabilidade.

O dilema é que quanto mais dedicarmos tempo e energia a administrar e readministrar, menos tempo teremos  para fazer o que é necessário e menos eles vão se desenvolver sozinhos.

Neste cenário, costumo oferecer 10 sugestões mandatórias aos meus clientes para que não afundem num círculo vicioso que pode comprometer suas carreiras. Aqui vão elas:

  1. Aumente o nível de habilidade de sua equipe. Se estiver adotando o gerenciamento excessivo porque considera que seu pessoal não é bom o suficiente para realizar o que precisa ser realizado é hora de reavaliar se está selecionando talentos de forma adequada. Talvez algumas decisões difíceis precisem ser tomadas. Ou talvez seja necessário investir no aprimoramento das habilidades do grupo. Qualquer gerente de uma equipe que deixa a desejar precisa lançar mão do gerenciamento excessivo para sobreviver, mas definitivamente essa não é uma boa estratégia no longo prazo.
  2. Aprimore suas habilidades de comunicar. Se você está adotando o gerenciamento excessivo porque está ocupado demais para comunicar ao seu pessoal o que precisa ser feito, porque prefere fazer você mesmo ou ainda porque delega mas depois fica monitorando tudo nos mínimos detalhes, reavalie sua competência em comunicar e compartilhar informações. Quem não se comunica bem sempre precisa de mais tempo para administrar eficazmente. Sempre.
  3. Permita que sua equipe o auxilie. De tempos em tempos pergunte a cada integrante se eles acham que poderiam fazer alguma coisa que no momento você está fazendo, ou se está micro gerenciando a galera. Escolha uma ou duas coisas de cada pessoa e delegue poderes para que elas façam isso sozinhas. Certifique-se que a comunicação é adequada para que possam alcançar um bom desempenho. Explique seus padrões – quais devem ser os resultados e as principais coisas que precisam ser providenciadas – então  peça  para encontrarem uma maneira de fazer isso sozinhos.
  4. Seja paciente. Sempre. Se estiver impaciente ou perceber que está checando o andamento com muita frequência, estabeleça uma agenda com o pessoal para verificar os pontos de progresso. Deixe-os dar início ao trabalho dentro de um cronograma que o faça se sentir seguro. Pergunte-se: “quais foram os chefes que mais me motivaram?”. Provavelmente foram aqueles que lhe deram bastante liberdade, o incentivaram a experimentar coisas novas, eram bons para sondar reações e comemoravam o seu êxito. Faça o mesmo que eles fizeram contigo.  Funciona.
  5. Seja realista com a sua quipe. Está se segurando com todas as forças? É um perfeccionista  e quer que tudo esteja perfeito? Tem expectativas pouco realistas em relação aos outros?  Então “Houston, temos um problema”. Alguém fez de você um líder porque, em comparação com os demais, faz um trabalho melhor. Tome cuidado para não ir longe demais criando metas e objetivos irreais e desanimadoras.
  6. Delegue tarefas e os poderes correspondentes. Delegar tarefas sem os poderes para escolher o processo ou tomar decisões é algo desmotivante. As pessoas crescem quando têm chance de decidir e alcançar o sucesso – ou o fracasso – sozinhas.
  7. Seja mentor e instrutor.  Pergunte-se: “Por que algo é um ponto forte para mim? Quais são os primeiros itens que eu poderia ensinar para ajudar os demais a elaborar a sua própria compreensão?” Observe cuidadosamente para ver como os demais reagem quando está ensinando alguma coisa ou oferecendo treinamento. O que funciona e o que não funciona durante o treinamento? Revele coisas que as pessoas não precisam saber para fazer um bom trabalho, mas que podem ser interessantes, e assim ajudá-las a se sentirem valorizadas.
  8. Avalie sua gestão da carga de trabalho. Você fica com o trabalho porque se sente mal quando atribui muito trabalho aos demais? Eles teriam que trabalhar atá tarde ou nos fins de semana para terminar? Veja, a maioria das pessoas gostam de se manter ocupadas ou em movimento. Se você acha que o trabalho é pesado demais, simplesmente pergunte.
  9. Distancie-se. As coisas andam melhor quando está presente em comparação a quando está viajando, em uma reunião ou mesmo de férias? Evite dar orientações diárias. Você deve informar e delegar de maneira que o trabalho seja concluído sem nenhuma orientação adicional sua. Talvez você tabém seja o tipo de gestor que gosta de trabalhar em duplas e pessoalmente. Concentra a sua atenção em tarefas separadas e em um indivíduo de cada vez. Isso significa que não existe um sentimento de equipe, de concretizar um propósito maior ou uma mentalidade colaborativa em comum. Na sua ausência, não fica nenhum princípio a ser seguido e não existe nenhum compromisso entre os integrantes de sua equipe de se ajudarem mutuamente.
  10. Concentre-se em ser um bom professor. Leia a seguir apenas se sua classificação for de boa à ótima para a maioria das sugestões anteriores. Veja, às vezes, bons gestores também lançam mão do gerenciamento excessivo. Você é tão bom e sabe tanto que acaba sobrecarregando os demais e deixando-os dependentes de você?  Se transformou numa pessoa arrogante? Desistiu de repassar seus conhecimentos e suas habilidades para outras pessoas? Se este for o cenário, tente atuar como um professor e preste atenção especial à sua capacidade de delegar e desenvolver os demais.

Como disse o filósofo chines Lao Tzu, “Um bom gerente é melhor quando as pessoas mal sabem que ele existe  / Não tão bom quando as pessoas o obedecem e o aclamam / Pior quando o desprezam.”

Para estas e outras habilidades, conte comigo.

Pablo

P.S. – Gostou? Para me seguir no Facebook, acesse https://www.facebook.com/coachingexecutivo

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5 comentários

  1. Comentários muito interessantes, que algumas vezes fazemos sem perceber. Gostei muito acredito que sirva de ” cutucão “.

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  2. Pablo: excelente seu artigo. Faltou apenas um aspecto: – a questão de os subordinados assumirem a responsabilidade pelo resultado do que fazem. Um abraço, Dulce

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  3. Concordo com as 10 orientações deste artigo. Acrescentaria apenas mais uma. Praticando as 11 coisas consegui o seguinte: Trabalhei 32 anos na mesma empresa. Quando chegou minha hora de sair, o dono da empresa me questionou! Como eu poderia sair tão pouco tempo depois de tomar uma decisão destas? Estava preocupado como seria a continuidade das áreas sobre minha responsabilidade. Ele também havia feito as 11 coisas comigo. Estou falando de profissionalismo. Desta forma, respondi que sempre poderia me procurar, me encontraria e eu o atenderia. Tivemos dois contatos depois disto. Em um deles, foi a respeito de um documento que não estavam encontrando, orientei a pedir para a pessoa responsável para rever seus arquivos recentes, ela encontrou a falha e o objeto da informação desejada. Na outra oportunidade, em que nos encontramos, quase dois anos depois, ele elogiou meu profissionalismo para a minha esposa. Não poderia ser melhor. Ela ficou muito feliz de ouvir um testemunho que não vinha de mim, poder ser portadora deste presente, realmente era melhor ouvir isto através dela, que passou a me respeitar mais ainda, perfeito. Ele nunca me elogiara antes, profissionais sabem que profissionais precisam de reconhecimento com atitudes, não de elogios. Enquanto trabalhei com ele fui muito bem recompensado e reconhecido. O elogio do profissionalismo só poderia mesmo vir no final. Enquanto esperava elogio, eu só reclamava. Mudei meus procedimentos depois que consultei o mestre de relações industriais, nos últimos dias antes da minha formatura. Me queixei a respeito do salário que estava ganhando. Ele me orientou a trabalhar sempre melhorando a qualidade das minhas entregas, não fazer esperando por elogios, deveria se dedicar a fazer aparecer bem feito aquilo em que você está trabalhando. Alguém vai ver, reconhecer e querer mais. Quanto mais damos, mais recebemos. Se tivesse aprendido a ser elogiado eu nunca teria descoberto como seria bom ter profissionalismo. Podemos clamar e reclamar, mas também precisamos ouvir. Só encontramos as respostas certas primeiro aprendendo aonde procurar e fazer as nossas consultas. Senhor Pablo, gostei do seu artigo me inspirou a fazer este registro, um abraço.

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  4. O bom gerente não é aquele que aparece, mas sim a equipe que ele gerencia. No gerenciamento de pessoas é importantíssimo conhecer o potencial e a limitação de cada membro da equipe. O bom gerente tem que ter cuidado para cobrar resultados, se ele esta cobrando resultado de uma pessoa da equipe que não tem bons rendimentos e não esta correspondendo é porque o gerenciamento esta com falha, provavelmente esta desenvolvendo trabalho fora do seu perfil profissional ou esta desmotivado por alguma razão. É importante que o gerente reconheça que ninguém é bom sozinho e que todos nós somos bons em alguma coisa, cabe ao gerente descobrir junto aos seus subordinados em que cada um individualmente é bom.O gerenciamento exercido na horizontal de forma participativa e colegiada é um dos melhores modelos de gerenciamento já visto.Neste caso o gerente passa a ser um coadjuvante, só que com a responsabilidade do cargo que ocupa e responde por ele junto a empresa. Um bom gerente deve iniciar seu gerenciamento de baixo para cima, permitindo-se a ele conhecer o potencial de cada um de sua equipe.

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  5. Muito bom. como gestores ou líder de equipes, temos que atuar para que as pessoas façam o que é preciso ser feito.

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