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Espelho, Espelho Meu, Existe Alguém Mais Cego Do Que Eu?

Janeiro 30, 2013

espelho-meuTodos nós  somos humanos e todos nós temos pontos cegos. Tal qual alergia e caspa, eles fazem parte do jogo da vida. Entretanto, dependendo do porte, esses pontos cegos podem derrubá-lo e inclusive desacelerar a sua carreira. E digo mais: se você é um gerente, eles podem afetar a organização em que trabalha. E se for um alto executivo ou um líder empresarial, eles podem impactar a vida e o sustento de milhares de colaboradores. Complicado, não?

Hoje em dia, muitos dos executivos que me procuram acreditam que devem focar no aprimoramento de suas fortalezas, não em corrigir suas fraquezas. Isso, na minha humilde opinião, é uma receita para um iminente desastre. Veja, todo negócio tem desafios que necessitam ser endereçados e obstáculos que necessitam ser superados.

Gestores devem ser capazes de lidar com o que quer que seja que o mercado lança sobre eles. Eles não podem se dar o luxo de dizer: “Aguenta aí um minuto. Esse problema não é exatamente a minha praia. Será que podemos deixá-lo de lado e cuidar do próximo da fila?” Venhamos e convenhamos, as coisas nã0 funcionam desse jeito, certo?

Você pode até compensar um ponto cego contratando alguém com habilidades complementares, por exemplo. No entanto, soluções como essa não são comuns, afinal executivos com pontos cegos ou são inconscientes ou vivem negando que eles existem. E tem mais: esses pontos não se dissolvem facilmente naqueles em que criaram raízes. Muito pelo contrário, ficam constantemente no caminho provocando más decisões. Uma atrás da outra, para dizer a verdade.

Tenho trabalhado com centenas de executivos ao longo dos anos e, apesar de não ter mantido um registro, se tivesse que oferecer uma estimativa, diria que aproximadamente a metade deles tinha pontos cegos relevantes. E por “relevantes” quero dizer que a função que eles exerciam estava seriamente comprometida e inclusive com risco de levar a carreira deles a pique.

Entendo que focar nas fortalezas implica em ter compreendido suas fraquezas o suficiente para, de alguma maneira, compensá-las. O problema é que em geral as pessoas ou não estão conscientes delas, ou não dão importância às mesmas ou ainda, por qualquer que seja a razão, vivem terminantemente negando a existência dessas fraquezas. É por isso que são denominadas pontos cegos: você não consegue enxergá-las.

A  questão é que não há uma solução mágica para esse tipo de problema. Não há comprimido que possa tomar ou conselho que possa ler para desatar imediatamente este nó. Como se vê, a correção se encontra em um conjunto de características que você abraça ou não abraça. Elas são boas para a carreira de qualquer um, mas particularmente úteis para gestores e executivos.

Estas características são: humildade, autoconhecimento e coragem. Se você tem um senso de humildade e de autoconhecimento, então você está ciente que é humano e que tem falhas, algumas das quais podem impactar consideravelmente a organização em que trabalha.

Se você tem coragem, então está disposto a enfrentar a realidade competitiva, ouvir duras críticas, dar uma olhada no espelho e confrontar friamente o que quer que enxergue nele, não importa o quão assustador ou fora de sua zona de conforto tal visão possa estar.

Fotos: Marie HippenmeyerEsse é o motivo pelo qual o conceito de focar nas fortalezas ao invés das fraquezas deveria ser apenas uma tola e passageira lenda urbana. Se você tem humildade, autoconhecimento e coragem, então está consciente que pontos cegos podem ser um problema real e não tem medo de confrontá-los (se isso é o que é necessário para ter êxito na sua vida e na sua carreira).

Conte comigo,

Pablo

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6 comentários

  1. Muito bom artigo, parabéns. Realmente pouca gente olha para suas fraquezas o que acho que deveria ser o maior foco. É natural focar nos pontos fortes, portanto este artigo é um alerta para todos os executivos.

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  2. Gostei do artigo, pois retrata a verdadeira condição dos seres humanos, apontando uma de suas principais deficiências não só profissionalmente como na vida comum, quando tentamos mascarar nossas deficiências, mais aponta uma característica forte capaz de ajudar equilibrar, a “HUMILDADE”.

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  3. A vida é uma correção, e das fraquezas se ergue melhor, já brilhantar a fortaliza, isto é próprio de pessoas arrogantes, impetuosas, e imprudentes não funciona não. Galgar um posto já que está no cume da pirâmide é dificil, o mais fácil é cair na base da pirâmide e isto quem ensina é o tempo, por que pessoas quando se acham, vão continuar se achando, ai é o erro fatidico. Não quer dizer que tem que se atualizar não, estamos falando de índole da pessoa, e não de capacitação.

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  4. Muito bem escrito. Afinal é simples mas tão incompreendido.Ser humilde e ter em conta as suas fraquezas é sempre visto como falta de ambição.

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  5. Realmente muito bom o artigo. É sempre mais difícil reconhecer nossas fraquezas. Quem as conhece são aqueles com os quais nos relacionamos, na empresa ou na vida pessoal. Um bom processo de avaliação de desempenho pode ser uma ferramenta para identificá-las. Mas a metodologia não parece plenamente adequada para este fim (a avaliação concomitante das forças tende a minimizar a gravidade das fraquezas). E o instrumento parece pouco eficaz ou pouco utilizado quando nos referimos aos níveis mais alto de gestores. Por outro lado, a “gestão das fraquezas” torna-se um processo sob a exclusiva condução do “indiciado” – as empresas não contam, por exemplo, com um serviço de psicologia para apoiar o enfrentamento das fraquezas.
    Em outras palavras o tema é realmente relevante e talvez mereça o desenvolvimento de metodologias específicas para que possa ser enfrentado – ademais, as fraquezas são mais ou menos críticas dependendo de uma série de fatores ligados também ao desempenho da função de cada um, surgindo assim a possibilidade da existência de fraquezas toleráveis ao lado de outras muito mais críticas.

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  6. Pablo,

    Em suma, pela sabedoria popular, pior cego é aquele que não quer enxergar.

    Entendo que existem fraquezas de toda ordem e, certamente, elas são mais numerosas que nossos pontos fortes.

    Aqui, acredito que vale a pena, desenvolver um ponto delicado que é ligado ao discernimento e consequente refino da sabedoria, a qual nos leva tomar as posturas que vc aponta na direção de sermos pessoas e profissionais cada vez melhores.

    Coragem e iniciativa para mudar o que for necessário, humildade e reconhecimento daquilo que não podemos ( mas devemos) mudar e sabedoria para distinguir uma coisa da outra.

    Abração e parabéns pelo sincero e impactante artigo !

    .

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