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O Yahoo! e o dilema do home office: de que lado você está?

Março 22, 2013

home-officeTodo mundo sabe sobre o fim do home office no Yahoo. E todo mundo tem uma opinião sobre essa questão: ou se trata de um baita retrocesso para dias pré-históricos onde se estrangulava o engajamento dos funcionários ou de que é exatamente isso o que o Yahoo necessita para desencadear inovação e melhorar a produtividade da organização.

Na minha opinião o debate se resume a duas questões:

1. Isso era a coisa certa para o Yahoo fazer?

2. Isso é a coisa certa para outras empresas?

Para respondê-las, ajuda deixar de lado todo esse alvoroço e indignação e apenas lidar com a realidade concreta. Com isso em mente, trago à tona a reflexão que fiz ao ler o artigo da Folha de São Paulo há um par de Domingos e que vai nos ajudar a chegar no cerne da questão:

Os times são mais eficientes atuando 100% de forma presencial do que quando alguns integrantes operam remotamente? Em praticamente toda hipótese que posso imaginar, sim, sem dúvida alguma. Em termos de cooperação, inovação, eficácia, tomada de decisão, produtividade – de toda a maneira que possa imaginar – não há benefício algum em ter algumas pessoas trabalhando em casa (seja integralmente ou parcialmente). Isso não significa que elas não possam ou que não devam, mas apenas o que acabei de afirmar: grupos são sim mais efetivos presencialmente.

Todas as equipes e funções em toda empresa são impactadas igualmente quando alguns integrantes trabalham desde casa? É claro que não. Mesmo que seja melhor ter presencialmente todos os envolvidos, algumas equipes e funções em algumas empresas não vão ser muito afetadas, algumas vão perceber uma tremenda queda em uma ou mais métricas mencionadas acima e ainda outras ficarão no meio termo. Mas dou um alerta: quando há prazos a cumprir, você vai querer que a equipe opere no seu melhor.

Trabalhar a partir de casa beneficia os funcionários, seja de forma pessoal ou em termos de carreira? Pessoalmente, com certeza. Você consegue fazer mais coisas particulares em casa do que faria na empresa. Quanto a carreira, não. Dedicar tempo e energia tête-à-tête é fundamental para escalar a hierarquia corporativa. Você precisa fazer corpo a corpo se quer ser promovido. Faz parte do jogo.

Com estas reflexões em mente, fica agora mais fácil responder os questionamentos que todos estão levantando.

1. Era isso a coisa certa para o Yahoo fazer?

Quando a empresa está com problemas, ela precisa que seus funcionários deem o seu melhor. Ter todo mundo na empresa, de corpo e alma, vai ao encontro desse propósito. Em termos de engajamento, funciona. Se o funcionário quer o melhor para a sua empresa, como deveria desejar, ele verá isso como uma coisa boa. Se não, não creio que o Yahoo perderá muito se ele se demitir.

E  digo mais, se a liderança do Yahoo não considerasse que isso era um problema, ela não teria mudado a política da empresa. Portanto considero que tomaram a decisão correta.

2. É isso a coisa certa para outras empresas?

Não necessariamente. Na minha opinião, a questão se resume ao seguinte: a não ser que a empresa esteja em sérios apuros, não vejo razão para tais medidas draconianas (ou seja, lançar mão de uma norma que acabe com o home office na empresa como um todo). Considerando que há inúmeras variáveis envolvidas, tais como as mencionadas acima, por que não permitir que os gerentes tomem a decisão individualmente? Aí é só deixar claro que a responsabilidade pelos resultados continua sendo deles. Essa seria um movimento sábio.

Quanto as decisões individuais de cada grupo, a questão é muito simples. Para as funções em que é muito melhor ter presencialmente as pessoas, os gestores devem, no mínimo, definir limites razoáveis ​​para o home office, especialmente quando o grupo tem prazos a cumprir. Para as funções em que não faz grande diferença ter as pessoas trabalhando desde suas casas (seja parcial ou integralmente), e principalmente quando o senso de urgência é baixo, acho que mais liberdade faz mais sentido.

Veja, algumas pessoas vão ser mais produtivas trabalhando em casa do que outras. Na verdade, isso tudo é um peso adicional nas costas do gerentes, pois ele precisam agora supervisionar pessoas que trabalham em casa. Mas tudo bem, isso é totalmente viável desde que eles estejam dispostos a monitorá-las um pouco mais de perto para garantir que estão fazendo as tarefas com as quais se comprometeram.

Fotos: Marie HippenmeyerEm suma, não vejo nenhuma razão para tamanho alvoroço sobre o tema.

E você?

Conte comigo,

Pablo

P.S. – Gostou? Para me seguir no Facebook, acesse https://www.facebook.com/coachingexecutivo

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7 comentários

  1. Olá Pablo, muito legal o seu artigo. Abs, R2DX.

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  2. Concordo com sua opinião Pablo. Acho que o Yahoo tomou a decisão certa para para organização. Talvez seja essa a solução para a necessidade de engajamento num momento de turbulência, o que não quer dizer que outras empresas devam fazer o mesmo. Não sei também, se o Yahoo tomou essa decisão para todos as funções e acho que aos poucos o home office deverá ser adotado novamente.
    O alvoroço é exatamente por essa decisão ter partido do Yahoo. Uma empresa de tecnologia,que é vista pela inovação e que deve ditar as melhores práticas de administração, assim como o Google, Microsoft, Facebook, Apple, entre outras.
    Um abraço e parabéns pelo texto.
    Mário L. Magnani.

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  3. Nao faco ideia como o Yahoo avaliava a baixa produtividade, mas deve existir alguma lentidao dos feedbacks de seus colaboradores, em regime de home-office.
    Eh inegavel que ha o isolamento e eventuais conflitos com as tarefas domésticas e rotinas da casa… Quem trabalhou/trabalha em casa sabe bem do que se trata.
    Minha atual experiencia num escritorio compartilhado (coworking), tem sido muito positiva e o ambiente favorece desenvolver novos negocios. Talvez fosse uma boa solucao para eles…
    GP

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  4. O Nobre Caminho Óctuplo é, nos ensinamentos do Buda, um conjunto de oito práticas que correspondem à quarta nobre verdade do budismo. Também é conhecido como o “caminho do meio” porque é baseado na moderação e na harmonia, sem cair em extremos.

    Desta forma pode-se ver que a moderação é um objetivo antigo da humanidade, sempre procurando evitar os extremos. Acredito que dentro de algum tempo o Yahoo vai encontrar o seu equilíbrio e com isto vai haver também um equilíbrio entre o trabalho presencial na empresa e em casa. Toda vez que há uma crise são tomadas medidas drástica, que às vezes só agravam as crises, mas com o tempo a tendência é a volta do equilíbrio. Vamos torcer para que o Yahoo se recupere.

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  5. Nos dias de hoje não vejo que acabar com home office possa ajudar alguma empresa, mesmo em momentos de crise. Com toda a tecnologia existente para viabilizar esse tipo de trabalho, acabar com essa solução só vem a diminuir a produtividade. Desempenho, foco, dedicação entre outras qualidades exigidas dos funcionários ou colaboradores não irão aumentar por trazê-los a empresa. Na minha opinião, isso só deve agravar a situação fazendo com que as empresas percam seus melhores funcionários para outras que não aboliram o home office. Devemos levar em conta que essa é uma prática comum nos setores de TI, e quanto mais qualificado o funcionário mais precioso e disputado ele é. Nesse caso, ele pode não ficar contente com o fim dessa prática e aceitar propostas de outras empresas, agravando a crise da empresa que trabalha atualmente. Os profissionais da área de TI são exigentes quando o assunto são benefícios, e o home office é um grande atrativo para esses profissionais. Ótima matéria, abraços à todos!

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  6. Entendo que,´o fim ou não das atividades home office deve sim ser medida caso a caso. Quanto a empresa ou Gestor tem a ferramenta deve impor metas e objetivos claros ao colaborador que desfrutará desta condição. E, entendo ser necessário tempo de convivência com os demais na empresa, fazendo uma mescla de atividades em casa e tendo como por exemplo 4 horas semanais na empresa. O home office é ótimo para desenvolvimento de atividades de maneira confortável, mas é um caminho de isolamento social da empresa! Cria-se uma atmosfera diferente do que busca-se nas atividades de grupo, de mesclar capacidades e ter o potencial de idéias novas, discussão de rumos… ou seja podemos nos afastar das políticas desejadas pela organização, mesmo tendo o perfil porém estarei alheio ao dia a dia. Uma empresa é o que seu potencial humano é capaz!

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  7. Dependendo a tarefa a ser desenvolvida, o home office ainda pode ser uma boa alternativa. Por exemplo, às vezes ligo para clientes a partir de casa, sem a necessidade dos 90 minutos de trânsito para ir ao escritório apenas para realizar estas ligações.
    Acredito em um modelo mais equilibrado, home office e presencail, sempre de acordo com o tipo de tarefa e urgências.

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