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Você Não Pode Impor Uma Cultura – Mas Pode Influenciá-la

Abril 17, 2013

Me contaram uma anedota sobre um CEO que compareceu a uma apresentação sobre cultura organizacional e que, ao final, pediu ao seu Diretor de RH ”consegue uma dessas para mim”. É claro que ela soa ridícula mas, como a maioria das anedotas, esta história está baseada em fatos reais.  Muitas organizações tratam a criação, manutenção e atualização períodica de suas culturas com desdém. Ou falam da boca para fora sobre o tipo de cultura que querem, e na realidade não fazem muito sobre ela, ou pior, a ignoram completamente.

A maioria dos times executivos lida mal com a cultura pois ela é  complicada de definir. Ainda menos tangível que um conceito “soft”, a cultura está mais para uma espécie de nuvem: você sabe que está lá, mas é praticamente impossível agarrá-la. Wikipedia define a cultura como “um conjunto de atitudes, valores, objetivos e práticas compartilhadas que caracterizam uma instituição, organização ou grupo”. Mas como é que chegamos a um consenso em relação a essas atitudes, valores, objetivos e práticas “compartilhadas”? E mesmo que isso ocorra, como você faz com que centenas (ou milhares) de pessoas pensem e ajam da maneira com a qual concordou?

A resposta é que você não faz. Mesmo após milhares de anos de civilização, líderes ainda tem dificuldades para fazer com que todos sigam quaisquer regras básicas de comportamento (pense nos 10 Mandamentos). Em outras palavras, a cultura não é uma “meta” a ser imposta, mas o resultados de um conjunto coletivo de comportamentos.

Entretanto, líderes conseguem influenciar esses comportamentos de diversas maneiras – e, ao fazer isso, moldar a cultura de suas respectivas empresas. Seja você o CEO ou um gerente de área, seguem 3 passos que você pode dar nesta direção:

Transmita sua visão de uma cultura vencedora. Se quer ser mais do que um mero zelador de uma cultura existente, então você precisa definir suas aspirações. O que será diferente? E como isso fará diferença no sucesso da empresa? Mais especificamente: quais são os comportamentos mais críticos que vão caracterizar a cultura que você quer criar? Por exemplo, Jack Welch utilizou o mantra “velocidade, simplicidade e auto-confiança” como balizador de suas transformações na cultura da GE nos anos 90 – num total contraste em relação a cultura analítica, burocrática, hierárquica da empresa na época.  Essa visão desencadeou um intenso diálogo em todos os níveis da empresa sobre o que as pessoas precisavam fazer para que a GE fosse bem-sucedida – e para ser pessoalmente bem-scedido na GE.

Demonstre como novos comportamentos podem acelerar o negócio. Nada reforça mais novos comportamentos do que o êxito. Portanto, uma vez que você definiu esses comportamentos, trabalhe com sua equipe para aplicá-los num projeto específico que talvez necessite ser acelerado ou aprimorado. Para fazer isso, desafie seu time a alcançar metas duras especificas num curto período de tempo, enquanto tentam explicitamente trazer à tona a nova cultura. Por exemplo, ano passado uma instituição financeira estabeleceu que iria criar uma cultura mais colaborativa, proativa e com foco externo. Para demonstrar o que isso significava, uma das áreas de operou com um time de relacionamento para encontrar maneiras de melhorar o cash flow de um cliente específico – enquanto mantinham os novos imperativos culturais em mente. O seu sucesso encorajou outras áreas a tentar experimentos similares, de tal forma que a cultura gradualmente se tornou uma realidade crescente na organização.

Transforme a nova cultura numa realidade integrando-a dentro dos processos de RH. As pessoas tendem a fazer aquilo que é medido e recompensado. Portanto o terceiro passo para construir uma nova cultura é utilizar os comportamentos desejados como critério para contratar, promover, recompensar e desenvolver pessoas. O ponto de  virada, na transformação da GE, ocorreu quando Jack Welch publicamente comunicou aos seus executivos seniors que demitiu  dois líderes por não demonstrarem os novos comportamentos da empresa – apesar de terem alcançado resultados financeiros excepcionais.  Isso pontuou claramente que a cultura não era apenas um conceito soft, muito pelo contrário, havia resultados e consequências bem tangíveis.

Fotos: Marie HippenmeyerEm suma. Modelar uma cultura corporativa é um dos desafios mais difíceis a ser enfrentado por um líder. Mas se quiser seguir em frente,  estas diretrizes vão provavelmente ser mais efetivas do que falar para o Diretor de RH para ele se virar e “arrumar uma dessas pra gente”.

Qual é a sua experiência modelando culturas organizacionais? Compartilhe.

Para este e outros desafios corporativos, conte comigo.

Pablo

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